O Poeta da Matemática

por Luciano Bitencourt

O ângulo de 90° graus pode ser muito mais do que a abertura de duas semi-retas. Vai além do encontro do chão com a parede. É Gastão Debreix quem diz. Ou melhor, quem escreve. Aliás, é ele quem literalmente mede as palavras. Como poeta, faz contas e, subtraindo operações, o faz-de-conta.

Nascido em Guaiçara (SP), em 1960, Debreix sofreu desde criança a influência de vértices e radianos. Em Pirajuí (SP), na oficina do pai, o então professor de Desenho Industrial na escola.., aprendeu a lidar com medidas e nelas descobriu a gramática dos números – a engenharia ortográfica.

O tempo do prego, o mergulho no vão, o peso do vento, a velocidade do carretel, a sagração do botequim. Em diferentes extensões, invertidos, consecutivos ou adjacentes, estão todos lá presos à casa-grande, uterina e velha. Concomitante, livres à Penitenciária “Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira”, onde Debreix atuou como agente de segurança e descobriu as propriedades técnicas e, então, obtusas da sua obra.

Foi nesse mesmo tempo, ao término da década de 1980, que, solto, o poeta iniciou dentro do universo carcerário a diligência pela identidade concreta de sua linguagem. Em Letra Set e serigrafia expôs a busca tímida pela aritmética do ponto, da vírgula, do acento (agudo ou circunflexo) e do asterisco. E, desse modo, equacionou a atenção de nomes importantes da poesia contemporânea como Omar Khoury e Paulo Miranda.

Com Debreix, o traço fora verbalizado. A métrica alcançou a congruência.

 

Entrevista TV Unesp – Programa Artefato

Gastão Debreix

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Nascido em Guaiçara-SP, 1960
Atualmente residente em Bauru-SP

Formação
Educação artística, habilitação em Artes Plásticas.
Unesp Bauru, 1992

Participações

  • Revista Artéria – Sons & Dons – Ano I nº1 – Agosto 1990, Secretaria da Cultura de Santos SP.
  • XV Sarp – Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto – 17/8 a 17/9/1990, Casa da Cultura.
  • Revista Artéria 5 (Fantasma) Poesia Visual. São Paulo: Nomuque edições, 74/91 de 10 a 21/4/1991, Masp SP.
  • II Studio Internacional de Tecnologias de Imagem – Sesc/Unesp – 7/6 a 4/8/1991, Sesc Pompéia SP.
  • III Bienal Nacional de Santos – 1 a 30/10/1991, Centro de Cultura “Patrícia Galvão”.
  • Grupo A-Z Arte Eletro Imagens Paris – Xántus János Múzeum – 23/5 a 28/6/1992, Gyor – Hungria.
  • XVII Sarp – Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto – 26/6 a 26/7/1992, Casa da Cultura.
  • VIII Mostra Universitária de Artes Plásticas – Fasm – 1 a 30/9/1992, Fac. Santa Marcelina – SP.
  • Revista Artéria 6 (Quadradão) 31×31 – São Paulo: Nomuque edições – 15/4/1993, Augôsto Augusta, MIS, SP.
  • Paraver – Poesia Visual – 25/8 a 10/9/1993, Fac. Santa Marcelina, São Paulo.
  • I Bienal Art Eletro Imagens – 5/5 a 2/6/1994, Haus Ungarn, Berlin.
  • II Bienal Art Eletro Imagens – 6 a 23/10/1994, Varzely Múzeum, Budapeste, Hungria.
  • Mostra Nacional de Poesia Visual – 30/6 a 14/7/1995, Natal, RN.
  • I Electrographic Biennal – International Copy Art Expo – 10 a 20/3/1995, Seoul, Coréia do Sul.
  • Individual – Oficina Cultural Regional “Glauco Pinto de Moraes” – 24/9 a 11/10/1995, Bauru SP.
  • XXI Sarp – Salão Nacional de Arte Contemporânea – 28/6 a 25/8/1996, MARP, Ribeirão Preto.
  • 1a Biennale Internationale des livres-objets, maio a junho/1997, Gyor, Hungria.
  • Individual – Gravura, Objeto, Pintura – 12/9 a 30/11/1997, Ópera Chopp, Bauru, SP.
  • Individual – Galeria Angelina W. Messenberg – 27/10 a 10/11/2000, Centro Cultural de Bauru, SP.
  • Revista Artéria 9 . São Paulo: Nomuque edições. Segundo semestre de 2007.